sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Sementes e Agroecologia: Responsabilidade de todos

Representação de Kokopelli
Estive recentemente em um Encontro de Cuidadores de Sementes no Perú chamado Kokopelli Pachamama. O evento foi facilitado pela Kokopelli, uma organização francesa que há mais de vinte anos luta pela preservação de cultivos tradicionais e por uma mudança conceitual de modelo de agricultura no planeta. Foram oito dias de intenso intercambio de experiências incríveis em sustentabilidade, técnicas agroecológicas e caminhos que visam produzir com abundância e em harmonia com o planeta e a trama de vida que o habita. Mas também foi um forte momento para informar-se a respeito de como se organizam as megacorporaçôes que buscam o lucro acima de toda e qualquer coisa, e através de um aumento de consciência acerca destes fatos, avaliar nossos próprios atos para não estar colaborando por ignorância ou preguiça com a destruição massiva que vem sofrendo nossa linda morada azul. Aqui vai um resumo (e ainda assim o texto ficou enorme, mas devido à exagerada importância do tema em questão, achei necessário ser o mais completo possível) do que pude perceber como essência deste encontro e algo do que podemos fazer para colaborar com a vida:

Vandana Shiva
Segundo Vandana Shiva, conceituada filosofa e ativista ecológica indiana presente no encontro, o paradigma moderno e essencialmente "masculinista" de produção alimentar que nos trouxe conceitos como “Revolução Verde” ou ”Agricultura Científica” provoca uma ruptura entre elos essenciais à nossa sobrevivência como o manejo sustentável de florestas, o cuidado com os animais e a agricultura. A tradição humana de manter vivos os solos com auxílio de composto orgânico natural e esterco animal entre outras técnicas provenientes de fontes renováveis foi substituída por uma forma de agricultura reducionista que se apoia no uso de recursos não renováveis transformados industrialmente e altamente poluentes.

Milho crioulo
Além disso, hoje enfrentamos o problema do encarceramento das sementes. Ao longo dos últimos séculos vimos aparecer novas “variedades” de plantas, aparentemente mais produtivas e “resistentes”. Porém, o que muitas vezes chamamos atualmente de variedade quando nos referimos a uma espécie particular de uma determinada planta, é na verdade um clone, pois “variedade” pressupõe diversidade. Algo diverso não pode ser identicamente reproduzido, logo, segundo as leis atuais em muitos países, não pode ser patenteado. Um grave problema é o de que a busca por organismos que possam ser patenteados rompe com outro elo da corrente que permite nossa vida sobre o planeta, o da biodiversidade, padrão natural que busca através da multiplicidade de elementos estabelecer o equilíbrio de um ecossistema.

Na contramão desta lógica apareceram os clones, as sementes híbridas e finalmente os organismos geneticamente modificados. Um clone, por exemplo, por mais que multiplique certas capacidades positivas de uma espécie igualmente entre todos seus “descendentes”, possui uma carga genética idêntica comum a todos os indivíduos. Sendo assim, por não contar com os benefícios de um patrimônio genético diverso, todos estão vulneráveis aos mesmos tipos de possíveis ataques, o que os torna muito mais frágeis e portanto infinitamente mais dependentes de agrotóxicos.

Depois vieram as sementes híbridas e uma série de estórias a respeito da alta produtividade que a heterose (procedimento pelo qual se obtém este tipo de organismo) provoca. Mas o que na verdade se escondia muito bem do público era o fato de que toda e qualquer melhoria feita nestes cultivos deu-se através do bom e velho processo de seleção por gerações, conhecido pelos agricultores de todo o mundo há muito tempo, contando somente com a clonagem introduzida ao processo uma vez encontrada uma variedade interessante. Por alto investimento científico logrou-se produzir variedades muito bem adaptadas que foram posteriormente clonadas e hibridizadas tão somente para poder patenteá-las e obrigar o agricultor a comprar novamente suas sementes a cada safra. A heterose em si não provoca nenhum benefício à planta posterior ao desenvolvimento da variedade, e a clonagem somente a torna mais dependente. Resta o fato de que estas plantas de alta produtividade poderiam perfeitamente ter sido desenvolvidas por associações de agricultores ou organismos governamentais através de métodos de polinização aberta ao invés de clonagem, e isto diminuiria incrivelmente os gastos involucrados na produção de alimentos enquanto favorizaria a ocorrência de biodiversidade.

E finalmente chegamos ao ponto em que através de um novo falso paradigma simplista, o de que tudo na vida é comandado pelo código genético, começamos a macaquear com a estrutura interna dos organismos vivos como se fosse brinquedo. Talvez este caminho inclusive seja um dos tantos necessários à nossa evolução enquanto espécie. Não sei ao certo e não gosto de estar no time que diz não antes de saber de que se trata o assunto. Mas o mínimo de bom senso necessário à questão seria pedir que estes organismos modificados fossem estudados e testados extenuantemente, ao longo de anos e anos, antes de que se tornassem alimento aos animais que nos alimentam e a nós mesmos. Mas os caras se apoiam num argumento parecido ao de telenovelas mexicanas: Estes alimentos vão erradicar a fome no mundo! Dizem. Já vão mais de dez anos que ouvimos esta conversa e que nos permitimos manusear por estas empresas.

Existe porém exemplos como o do que aconteceu ao doutor Árpád Pusztai, cientista húngaro que conduzia pesquisas há 36 anos no mundialmente renomado Rowett Research Institute, em Aberdeen, Escócia. As pesquisas do dr Pusztai tinham como objetivo provar que um tipo de batatas geneticamente modificadas não representavam perigo à saúde humana. Sua equipe já havia feito testes exaustivos de alimentação em ratos com o gene a ser inserido neste cultivo e não houveram problemas. Foi grande portanto a surpresa da equipe ao descobrir que as batatas modificadas porém, provocavam efeitos negativos no revestimento do estômago e no sistema imunológico dos animais. Perceberam assim que um gene diferente isolado poderia não causar consequências, mas ao ser forçadamente inserido no código genético de um ser, pode tornar-se uma ameaça, e é assim que o corpo das cobaias compreendia este "alimento", como um ataque. O científico motivado por sua responsabilidade profissional alertou a população à respeito do risco alimentar de OGM's em um programa de TV. Como resultado de sua ação mais do que lógica, perdeu seu cargo em um instituto de pesquisas "independente", e funcionários da Monsanto usando nomes e emails falsos iniciaram uma campanha de difamação do trabalho do Dr Pusztai e de membros de membros de sua equipe de pesquisa que também foram afastados do Rowett Research Institute.

Hoje, uma parte enorme destes “alimentos milagrosos” é produzida para alimentar gado (sendo que a produção de carne em massa consiste em uma forma de alimentar altamente ineficiente energeticamente, sobretudo quando se fala de erradicar a fome) e para produzir biodiesel, que até onde eu sei não possui grandes propriedades nutritivas. Ao longo dos últimos anos, dados mundiais mostram mais e mais pessoas ao redor do planeta sem acesso a um mínimo de alimentos suficientes para sobreviver, enquanto o abismo social entre muito ricos e muito pobres não para de crescer. E finalmente, outro pedido mínimo seria o de que produtos alimentares que contém OGM’s estivessem etiquetados como tal, mas estas corporações batalham com todas suas forças, com auxílio de advogados e políticos corruptos para que as pessoas ao redor do mundo não tenham o direito de saber se estão consumindo produtos desta quimera científica.

Coisas que a princípio pareciam maneiras de proteger desenvolvimentos científicos de uma empresa contra formas de concorrência desleais como o patenteamento de sementes, hoje são armas em uma guerra contra agricultores que desejam seguir produzindo suas próprias sementes ou plantando variedades desenvolvidas por nossos ancestrais ao longo de milênios de nossa história.

Neste cenário, as mesmas megacorporações que:

• Empobrecem o patrimônio genético desenvolvido por incontáveis gerações de agricultores em todo o planeta, que isto se dê por clonagem ou contaminações de cultivos naturais por organismos geneticamente modificados.
• Comercializam livremente veneno e plantas quimicamente dependentes dos ditos “remédios para a lavoura” que como bem sabemos são diferentes versões do lixo toxico ocasionado pelo fim da segunda guerra mundial. Armas químicas que já foram usadas por humanos contra humanos, hoje são empregadas em uma batalha cruel contra o planeta, seus recursos hídricos, minerais e toda a rede de formas de vida que curiosamente proporciona nossa própria existência.
• Inventam sementes que não se reproduzem para obrigar o agricultor a comprar suas invenções anualmente e eternamente.
• Arriscam nossa saúde distribuindo sementes de alimentos transgênicos que não se sabe quais efeitos provocarão a médio e longo termo, pois a maioria destes não foi se quer minimamente estudada e testada antes de chegar às prateleiras dos mercados.

Não estão satisfeitas com a situação atual, portanto buscam:

• Patentear cultivos, árvores e formas de utilizar plantas tradicionais por todo o planeta. Estão buscando mudar leis em diversos países para tal. Roubam sementes e receitas de preparados desenvolvidos por culturas tradicionais, e desde que não haja publicação científica a respeito, o que é bastante comum visto que camponeses não costumam publicar textos em revistas científicas, afirmam os terem desenvolvidos e patenteiam a semente ou preparado em questão. A partir daí, além de ganhar milhões com a venda de algo que é patrimônio conjunto entre humanos e sua Mãe Terra, por direito podem perseguir legalmente os verdadeiros “criadores” destes “produtos”, bem como pessoas que exerçam atividades comerciais envolvendo todo e qualquer subproduto desta planta. Na Índia chegaram ao absurdo de patentear o Nim (e também um preparado à base de suas folhas), uma árvore milenar há milênios conhecida por suas propriedades inseticidas, e isso somente para ilustrar o tópico, pois os exemplos deste tipo são incontáveis.
• Perseguir legalmente agricultores tradicionais. Já ocorreu no Canadá algo que parece sair de um filme de ficção científica destes sobre possibilidades futurísticas terríveis. Um agricultor que teve seus cultivos infectados por sementes geneticamente modificadas caídas de caminhões de transporte de grãos, foi acusado de cultivar sementes patenteadas sem comprá-las e obrigado a pagar uma enorme multa pelo fato em questão.
• Tornar o comercio de sementes tradicionais ilegal. Através de influência monetária e política, estas megacorporações já conseguiram mudar leis em muitos países para que não se possam vender sementes crioulas, o que obriga muitos agricultores a comprar suas sementes. Infelizmente o Brasil consta nesta lista de países governados por políticos suficientemente corruptos para permitir tal falácia tão obviamente contrária aos interesses de qualquer nação.

É incrível o fato de que chegamos em alguns países ao ponto em que para produzir uma caloria de alimento, gastam-se 10 calorias de petróleo. De alguma forma, me parece que a conta não fecha, certo?!!! Hoje nos Estados Unidos, e não se iluda em pensar que por hora não seguimos no mesmo caminho, ocorre um dos maiores esquemas de crime organizado dentro do setor de Agricultura do país (claro que a coisa é bastante parecida ou até pior no tocante à indústria bélica, alimentícia, farmacêutica e midiática). O povo norte americano é abertamente roubado pelo sistema de subsídios em vigor. Mega executivos transitam entre altos cargos com muito poder de decisão e influência administrativa do país e empresas como Monsanto ou Dupont. Hoje, somando todos os gastos para produzir um quilo de milho nos EUA por exemplo, estes são superiores ao valor de mercado deste mesmo produto. Então entra a subvenção do estado, para que o preço permita ao produtor seguir plantando. Ou seja, o contribuinte paga com seus impostos para que um estilo de agricultura ineficiente e obviamente insustentável continue sendo praticado beneficiando tão somente aos produtores/vendedores de lixo tóxico e sementes híbridas ou transgênicas.

Nesse momento alguém vai dizer algo como: Mas eu me lembro bem de quando começamos a usar defensivos agrícolas e sementes híbridas como nosso rendimento aumentou. Lógico, neste momento os solos estavam vivos e havia maior equilíbrio devido à presença de biodiversidade nas propriedades. Qualquer coisa que se usasse nesta época só poderia ajudar. E assim se deu a revolução verde, por uma relação parecida com a de um traficante (grandes corporações) e um viciado (agricultores e profissionais promotores de conhecimento no ramo agrícola).  Vamos discorrer um pouco mais sobre isto em tópicos:

• E o que seria um solo vivo? Sabemos hoje, que as raízes das plantas não absorvem diretamente os nutrientes presentes no solo. Isso ocorre na verdade por meio de uma intricada relação simbiótica entre elas, fungos e bactérias aí presentes. Logo, um bom indicador de um solo vivo seria uma alta presença destes mesmos organismos. Além disso, a planta necessita de fácil e constante acesso à água, e para que esta chegue às raízes, faz-se necessária toda uma malha de túneis cavados por uma multiplicidade de insetos e vermes que ainda por cima fertilizam o solo constantemente com seus excrementos. Logo, pode-se dizer que a saúde da planta, mais que nada depende de um incrível ecossistema em equilíbrio causado pela interação da fauna microbactereológica, insetívora e verminosa com o reino funghi presentes no solo. Aí vem o humano, em sua incrível sabedoria e aplica diretamente sobre o solo bactericidas, vermicidas, fungicidas e inseticidas. Além disso, revolve o solo com arado e o compacta com gado ou maquinário, o que desestrutura toda a camada de microgalerias por onde a água entra, ao mesmo tempo em que esmaga a fauna aí presente. Junte a isso o fato de que o solo permanece descoberto em muitas épocas do ano. Então o calor intenso e a desidratação provocados pela irradiação solar tornam-se mais um fator de dizimação desta vida. A cereja no bolo é o cultivo extenuante das mesmas terras sem prática de rotação de culturas. Todos estes elementos juntos por alguns anos seguidos e você poderá aniquilar a vida abaixo da terra, a mesma vida que permite que suas plantas estejam vivas e saudáveis. Neste momento, com plantas fracas e consequentemente constantes ataques, consulte um agrônomo, um técnico ou um engenheiro agrícola. São grandes as chances de que ele diga que é necessário aplicar mais veneno. Claro que já existem profissionais desta área que participam ativamente em prol de uma mudança de consciência, mas a grande maioria deles continua apegada à cega tendência suicida da dita “agricultura convencional”. Nossa realidade de produção de alimentos a nível mundial parece humor negro...
• Outro grande ator neste cenário de revolução verde é o famoso NPK (nitrogênio, fósforo e potássio). Este adubo sintético que reúne estes três macronutrientes anteriormente citados provoca um rápido crescimento da planta e alta taxa de frutificação. Além disso, os frutos crescem muito, e seu rápido crescimento diminui a probabilidade de incidência de pragas. Parece perfeito, certo? Mas tá errado, pois ao crescer tão rapidamente e alimentando-se quase que somente destes três elementos disponíveis em abundância, os frutos não dispõem do tempo necessário para assimilar uma série de micronutrientes presentes no solo e essenciais à nossa saúde. Isto explica por exemplo porque um tomate ou uma cenoura comprados atualmente não possuem o cheiro e o sabor dos mesmos legumes produzidos há vinte ou trinta anos. Os mesmos nutrientes que conferem estas propriedades olfato-gustativas nos mantém naturalmente menos dependentes de médicos e farmácias, logo, alimentos saudáveis seriam uma ameaça à indústria farmacêutica. Hoje, por motivos óbvios, abundam nas farmácias complexos vitamínicos para compensar o que nossa agricultura deixou de nos fornecer, mas resta o fato de que estas vitaminas consumidas de forma artificial não se comparam a seus equivalentes presentes em fontes naturais como legumes e verduras orgânicos provenientes de solos vivos.

Quadro que mostra a involução da quantidade de alguns micronutrientes presentes em alguns exemplos de vegetais entre cultivados na Europa entre 1914-1992 (para cada 100 gr)

Ano
1914
1948 (média)
1992
Repolho
Cálcio
248.00 mg
38.75 mg
47.00 mg
Magnésio
66.00 mg
29.60 mg
15.00 mg
Ferro
1.50 mg
5.70 mg
0.59 mg
Alface
Cálcio
265.50 mg
38.50 mg
19.00 mg
Magnésio
112.00 mg
31.20 mg
9.00 mg
Ferro
94.00 mg
26.25 mg
10.50 mg
Espinafre
Cálcio
227.30 mg
71.75 mg
99.00 mg
Magnésio
122.00 mg
125.40 mg
79.00 mg
Ferro
64.00 mg
80.15 mg
2.70 mg
Fonte: Amar e regenerar a Terra, Don Weaver 2002:17

•Produzir alimentos durante séculos esteve associado a produzir vida. Hoje, esta mesma atividade dificilmente ocorre sem uma enorme gama de “cidas” ou seja, mortes. Plantas que crescem em solos débeis e que não dispõem de todos os nutrientes necessários para seu crescimento saudável, por motivos óbvios são alvos fáceis para seus concorrentes, pois seu sistema imunitário está debilitado. Neste momento, tentamos matar tudo o que se aproxime deste cultivo com uma série de venenos. É como se cuidássemos de uma pessoa doente, e ao invés de tentar ajudar seu sistema imunológico a responder aos ataques, tentássemos matar todos os micróbios e bactérias presentes em seu corpo e no mundo ao seu redor, sem levar em conta se muitos destes micróbios e bactérias vivem conosco em simbiose e inclusive buscando a recuperação deste corpo. (Foi engraçado criar essa analogia e perceber que é exatamente isso o que fazemos com nossa medicina ocidental atual!!!) E assim matamos os insetos polinizadores, os fungos e bactérias que permitem que a planta receba nutrientes do solo e os vermes e insetos que proporcionam seu acesso à água e que adubam naturalmente o solo.

O mais curioso é o resultado. Enquanto estes “amigos naturais” das plantas de caráter mais sutil são facilmente dizimados, muitos dos organismos que eram os alvos iniciais deste ataque também morrem, mas devido à resiliência natural inerente a seu papel de pioneiros na natureza, certo número permanece vivo e desenvolve resistência ao produto tóxico. Assim tornam-se necessárias doses cada vez maiores de venenos mais e mais potentes. Finalmente consumimos tudo isso no alimento que comemos, na água que bebemos, pois estes venenos poluem rios e lençóis freáticos e no ar que respiramos. Isso ao mesmo tempo em que somos co-responsáveis por doenças, recém nascidos com sérios problemas de saúde por má formação fetal, e mortes sistemáticas de agricultores e seus familiares constantemente expostos a esta desgraçada forma de plantar. Por favor, não se iluda em pensar que vc é somente uma vítima destas megacorporações e seus malévolos executivos, pois existem caminhos alternativos e você, com seu poder de compra (claro que, além disso, você também pode e deve plantar!) decide estar de acordo ou não com este sistema perverso.

O sistema atual de produção de alimentos orgânicos com seus selos de garantia caríssimos não é tampouco a solução final para o tema. Não deixam de ser negócios que “coisificam” a vida com o único objetivo de lucrar. São em muitos casos fazendas enormes produzindo monoculturas de legumes e verduras destinados a serem vendidos a preços caríssimos, sendo portanto produtos extremamente elitizados. Mas como em muitas questões no tocante à agroecologia e sustentabilidade, o Brasil saiu na frente, criando um selo de certificação participativa através da Rede Ecovida. Este selo é uma medida inovadora e solidária que está permitindo a um grande número de pequenos agricultores aqui e em alguns outros países da America Latina gozar dos privilégios deste tipo de produção e deste mercado em franca expansão global.

Enquanto consumidores, podemos e devemos ajudar a fortalecer tais iniciativas. Consumir localmente, apoiando e criando demanda para produtos livres de agrotóxicos, transgênicos e afins. Buscar feiras de produtores ao invés de entregar nossa energia de mão beijada às multinacionais e grandes distribuidores. Entrar em contato direto com os produtores nestas feiras para que eles saibam que há cada vez mais pessoas que buscam alimentos sãos e que existem iniciativas como a Rede Ecovida onde eles podem buscar informação e apoio para mudar seu estilo de produção. Formando cooperativas de consumidores para comprar produtos orgânicos não perecíveis diretamente de cooperativas de produtores.

Existe uma infinidade de soluções ecológicas para produzir alimentos sem agredir nossa Mãe Terra, trabalhando com ela e ajudando-a a recuperar-se dos efeitos causados por esta perversa forma de ver a vida, como produto, como cifras, como lucro. Uma vez trabalhando com boas receitas de compostagem, húmus, terra preta e tantas outras tecnologias apropriadas, recupera-se a vida do solo. Quando isso ocorre, produzir organicamente e com biodiversidade torna-se, além de uma série de outras vantagens, inclusive mais barato. Mas muito mais importante que isso, estaremos cultivando cultura, saúde, alegria, sincronia, cor, sabor, aromas, ar e água puros, enfim, produzindo qualidade de vida para nós mesmos e para todo o planeta.

Uma amiga alemã chamada Saskia uma vez me disse algo que nunca me abandonou. Assim ela disse: “Quando você cultiva plantas, rega-as todos os dias, sorri, canta e conversa com elas, estas plantas vibram de amor por você. E todos os alimentos que elas produzirem vão estar carregados deste amor”
O ABSURDO DA AGRICULTURAMODERNA, 
dos fertilizantes químicos e agrotóxicos à biotecnologia
José A. LutzenbergerOutubro de 1998

6 comentários:

  1. Texto excelente, Erich.
    Como é bom saber que existem pessoas assim empenhadas em reverter esta nossa situação de "suicídio social". Estou com vontade de unir-me a causa e vou procurar como fazê-lo nos sites q vc passou.

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    1. Valeu bicho, vamos nessa que tudo tem conserto. Juntos podemos mudar esse paradigma infelizmente tão arraigado em nossa cultura contemporânea. Vi que vc é do Paraná, onde vc mora? Abraço

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Bro: fazia tempo que não parava pra saber de vc. Fiquei felz de te ver bem, curtindo e se jogando na nossa querida américa andina. As fotos estão lindas e adorei a história da estifa rocket. Vou me infronhar no assunto. Te cuida e boa viagem. Abção.Antonio.

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  4. É isso aí Erich, vamos ajudar a salvar esta nossa "linda morada azul"!

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  5. Zela,

    Ótimo post, estou tentando fazer minha parte também.

    https://www.google.com.br/search?q=jose+barattino+tedx&ie=utf-8&oe=utf-8&aq=t&rls=org.mozilla:pt-BR:official&client=firefox-a#q=jose+barattino+tedx&oe=utf-8&aq=t&rls=org.mozilla:pt-BR:official&client=firefox-a&um=1&ie=UTF-8&hl=pt-BR&tbo=u&tbm=vid&source=og&sa=N&tab=wv&ei=JuU_UKy5JeP20gG8p4GQDA&bav=on.2,or.r_gc.r_pw.r_qf.&fp=594fd38be417e077&biw=1024&bih=603

    Precisamos mudar o rumo desta história e aqui você tem um parceiro.

    Indica também o livro de Massanobu Fukuoka "One straw revolution".

    Abraço, Barattino

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