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Pancho, Jeramy, Nicole e eu. |

Nicole, a
amiga que derrubou a parada, prontamente se ofereceu para pagar o conserto. Mas
ficou aquela sensação estranha no ar... Eu bem sem grana pra bancar o conserto,
mas ao mesmo tempo chateado pelo fato de que alguém tenha que pagar sozinho por
um acidente em meio a algo que fazíamos em grupo.
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Pancho alisando a parada |
No dia
seguinte, Nicole e Pancho iam ao Centro de Permacultura El Manzano, por onde
passei na vinda a Santiago, para construir uma Estufa Rocket. Nicole não estava
bem da barriga, e assim Pancho perguntou-me se eu não queria ir em seu lugar.
Topei na hora, já percebendo a incrível sincronia presente no momento. Não só o
dinheiro que receberia por este trabalho cobriria o conserto do computador,
como eu aprenderia a construir uma Rocket.
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Dutos para a fumaça |
Para quem
não conhece, isso é um tipo de “lareira” de alto rendimento. Pode-se aquecer um
ambiente queimando muito pouca lenha (cerca de 1 kg/hora), além disso, a mescla
de areia e argila empregada na construção oferece uma enorme massa térmica que
continua irradiando calor por várias horas depois do fogo apagado.
Assim
fomos ao sul e construímos a tal estufa em três dias e meio. Trampo enorme,
tanto fisicamente como mentalmente, pois envolve cálculos e detalhes de alta
precisão. Mas muito gratificante ver a parada pronta e tomar posse intelectual
de uma fantástica ferramenta de trabalho que esta em acordo com minha visão de
mundo pela grande economia de madeira que proporciona.
Cada vez
mais me parece que cada merda que rola na vida já vem com uma semente de algo
incrível escondidinha. Por vezes o presente tá ali, na hora, basta que
estejamos abertos pra recebê-lo. Em outras ocasiões demora mais, ou pra que
venha ou pra que nos demos conta, mas vem...
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Mapa da coisa |
Hoje por exemplo, é possível que
estivesse vivendo outra vida caso não me houvessem roubado uma querida Kombi
que estranha e curiosamente me atava a São Paulo, isso nos idos de 2010. Neste
episódio, “percebi” um sinal de que seria bacana cair na estrada, ou seja, sou
grato ao ladrão!!! Em exemplos mais difíceis, vejo o caso de pessoas que por
motivo de doença grave, aproveitam seus últimos momentos vivendo plenamente.
Claro que algo tão radical quanto uma doença terminal é uma barra imensa para
todos os envolvidos, mas pode permitir uma mudança proporcional no caminho de
pessoas que viviam com o botãozinho no 1 de intensidade, meio zumbi...
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A estufa pronta! |
De tudo
isso, espremendo bem creio que saem duas coisas. Uma merda é um presente
dependendo de como se olha pra ela!!! A outra, creio que é meio assim: O
universo só nos pede uma coisa, que vivamos plenamente... Caso contrario caem
merdas/presentes na nossa cabeça pra que nos demos conta dessa regra básica!
Beijo