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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Estufa Rocket, o que é... (06/07)

Esquema de combustão parte 1
A Rocket é uma estufa de alto rendimento composta por duas partes, uma é um tubo em J de tijolos refratários com muita isolação térmica. Em uma ponta se faz o fogo, e pela outra ele sai batendo na parte de cima de um tambor desses de diesel que força o calor e a fumaça a baixar para outro tubo que constitui a segunda parte.

Nesta primeira parte, devido ao formato e ao isolamento, a temperatura passa dos 650 graus que é quando ocorre a queima total dos gases ocasionados pela combustão da madeira, e que em estufas comuns escapa sem queimar-se rumo à atmosfera ocasionando alta perda energética. Esse tambor esquenta muito, e assim proporciona calor ao ambiente de forma rápida.

Exemplo de estufa Rockett
Quando a fumaça sai desta primeira etapa do tambor, sua temperatura ainda está à cerca de 150 graus, por isso, ao invés de direcioná-la diretamente a uma chaminé, se faz um tubo por dentro de uma construção de barro, que pode ser um sofá, uma cama, o que seja, somente pra conservar o calor. A fumaça passando por dentro vai esquentando esse banco lentamente, e depois que se apaga o fogo, toda essa massa térmica de barro segue irradiando calor por umas 5 horas.


Assim, uma etapa esquenta rapidamente e a outra conserva o calor que sobra da queima total da madeira. Essa estufa esquenta muito e queima somente cerca de um quilo de madeira por hora. O nome vem do barulho, pois queimando soa um pouco como a turbina de um foguete, mas suave, não muito alto!!!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Encontros pela estrada


Meio por aí encontrei o Max...
Não foram tantos por hora, nem muito longos e tampouco fiz ideia  fotografá-los. E ainda assim deixaram-me uns algos que creio valer a prosa. Primeiro foi o Max, dos Estados Unidos.


Encontramos entre Bolsón e Epuyen. Ele já estava pedalando há uns cinco meses, tinha ido até Ushuaia e estava voltando. Um cara extremamente gente boa, tanto que lhe indiquei que fosse ao Valle Pintado conhecer a galera. Ontem falando com um amigo, fui contar a ele que iria fazer um segundo retiro de meditação Vipassana perto de Santiago, e ele me disse:
- O Max passou por aqui e contou pra gente. E eu pensei, quem caralho é o Max?!!! Já tinha esquecido total o nome do figura, mas conversando mais lembrei, e fiquei feliz por ele ter ido pra lá...

Amerika en Kombi!!!
Depois foi um casal muito bacana, Martin e Martina. Saindo do parque dos Alerces vidiei uma Kombi vermelha parada na beira de um lago. Quem me conhece sabe da minha queda/paixão por este veículo, ainda que esta fosse das um pouco mais novas, pois meu lance mesmo é com as de 76 pra trás! Logicamente baixei ver qual era. E não é que os figuras estavam voltando de 3 anos de viagem por toda américa latina?!!! Conversamos bastante, jantamos juntos (dentro da Kombi!!!), acampei ao lado e recebi toques sobre países por onde pretendo passar. Eles inclusive estiveram na vilinha onde vive um dos meus maiores ídolos atuais chamado Walter Ferguson. Cantor de Calypso de 93 anos a quem me encantaria conhecer. Disseram-me que me apressasse, pois o vozinho tá meio baleado... ( Quem quiser dar uma olhada o blog deles é http://amerikaenkombi.blogspot.com/ )

Nessas paragens estava o Sebastian
Aí, passando Trevelin trombei um belga chamado Sebastian. Eu estava todo estropiado porque resolvi apanhar umas maçãs em uma arvore toda rodeada de espinhos. Ofereci uma a ele e começamos a charlar. Ele também tinha baixado de bicle de Buenos Aires a Ushuaia, lá ficou por dois meses, e agora vinha subindo. Falamos sobre altas paradas até que nossa conversa foi pra um lado assim, Sebastian disse:

- Difícil que alguém nos queira fazer mal, nos roube ou algo assim. Acho que as pessoas de maneira geral empatizam com o ciclista viajante de maneira simples. Talvez pelo esforço, pelo desapego ou pela coragem... Aí eu fui brasileiro:

- Ou talvez por pensar, nossa, esse tá tão fodido que não vou roubar o cara!!! Carma ruim ferrar alguém que já tá sofrendo tanto! Rimos bastante e nos despedimos alegres e pedalantes.

Logo depois encontrei o Ike, homem norte americano de menos palavras e segundo si mesmo, de aptidões mecânicas. Também vinha pedalando de Ushuaia (Parece que só tem eu na contra-mão!). Não falamos muito, mas suficiente pra cutucar uma coisa que me disseram recentemente. Que nos Estados Unidos, dependendo da época, se pode comprar um bom motor home com 2.000 dólares. Puta trip rodar a gringolândia assim!!! Tenho que lembrar que ele avisou pra ficar longe dos Chevrolets Diesel.

Rio Grande, onde conheci o François

Mais recente foi o François e de maneira bastante inusitada. Quando cheguei a 2 km da fronteira com o Chile cruzei um rio espetacular, o Rio Grande. Havia um camping ao lado que já estava desativado devido à época. Decidi dormir debaixo de uma grande varanda para não ter de armar a barraca. Tomei umas cuias de mate e ao cair da noite comecei a cozinhar. Um dos motivos de haver parado ali foi porque me contaram que certos produtos como laticínios, legumes e frutas frescas não podem passar pela fronteira. Nisso apareceu o cara, um francês que já levava 10 meses viajando por todo lado de mochila e carona. Havia comprado uma dessas passagens de volta ao mundo e falava de lugares incríveis e incomuns. Ele me prometeu os contatos de uma tribo na Nova Caledônia que me pareceu muito interessante. Fizemos um guizado à noite e panquecas de banana pela manhã pra queimar meu estoque de comida ilegal, e fomos nós um pra cada lado.

Apesar de sua efemeridade, esses breves contatos com essa gente do mundo ajudam muito, ainda mais quando o frio aumenta e as chances de estar em companhia de habitantes locais diminuem bastante. Obrigado amigos da estrada por estes sorrisos, abraços e estórias. Bons ventos os levem, preferencialmente pelas costas, pois os de frente são barra!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Querida erva daninha

Planta em banhado no lugar de acostamento
Percebo agora que venho me indagando de forma inconsciente e há algum tempo sobre os diferenciais de se pedalar em uma grande estrada ou em uma pequenina senda de terra batida ou areia. Muitos são bastante óbvios. Nas grandes estradas, o barulho e o deslocamento de ar de caminhões é desagradável e até mesmo perigoso, também é mais difícil encontrar por ali aquelas pessoas, habitações e utensílios autênticos e interessantes que se pode vidiar nas entranhas da superfície. Por outro lado, se o acostamento for de bom calço, se pode avançar muitas léguas em um curto espaço de tempo. Mas algo que ontem me chamou a atenção de forma peculiar foi fato que não costuma sucitar grande interesse, mas que pareceu-me porém crucial nesse então. O corte de cabelo das beiras de estradas. 
 
Capim de prata
Entendo que deixar um mato alto nestas margens possa causar certo desconforto aos motoristas quando param, inclusive por necessidades fisiológicas inadiáveis, ou ainda danos às pistas por acúmulo de terra e consequente enraizamento de plantas, e até perigo à vizibilidade nas curvas. Mas reside aí algo que modifica profundamente o experiênciar de uma viagem em baixa velocidade. Geralmente, nas estradas secundárias, acessos de praias e caminhos rurais, subsiste uma forma singeloexuberante de companheiros de estrada, composta de profusão de matinhos, capins, sementes que voam, florzinhas miúdas multicolores, brotos de samambaias de tipos variados, pendões, espinhos, carrapichos e toda sorte de ervas daninhas que se possa imaginar.
Fulozinha roxeada
Quando morei no Goiás, tão logo entrassem em minha casa os habitantes locais traiam caladamente com os olhos sua necessidade de discrição à respeito da casa alheia. Nada falavam, mas seus olhares passeavam pelos vasos enquanto suas mentes se indagavam sobre que tipo de doido cultivava ervas daninhas dentro de casa, quando já era suficientemente árduo removê-las de seus quintais. Sempre gostei delas, não sei se era porque ninguém gostava ou porque sempre percebi que são lindas. Isso ainda foi crescendo em mim e foi imensamente reforçado quando soube que um artista famoso havia feito exposição em Paris de jardins compostos de "mauxherbes". Depois fui aprender com a permacultura que estas plantas tão resistentes, não só nos indicam carências e desgastes sofridos pelo solo, inclusive apontando os minerais necessários para sua correção, como tendem à recuperá-los elas mesmas, logicamente, ao longo de muitos anos. 
 
Campos oníricos
Hoje creio-me um daninhólogo amador. sem qualquer conhecimento formal, mas com grande amor pelas ervas ditas daninhas. Tenho vasta coleção de exemplares fotografados e adoro que estejam a meu lado ao longo do caminho para que possa admirá-las enquanto sorriem para mim. Termino pedindo desculpas aos mais pudicos, mas minha mente não pode deixar enquanto escrevia de traçar analogia entre este assunto e o da pubis e outras partes do corpo feminino. É pura expressão de gosto pessoal, mas para mim a verdade é a mesma nos dois casos. Uma estrada sem nenhum matinho ao lado perde muito de sua graça.

sábado, 6 de novembro de 2010

Leve Sensação...

Alta noite já se ia. Escuro fazia na barraca quando me dei conta do ocorrendo. Uma boa sensação percorria-me o corpo durante aqueles momentos em que me senti mais leve que o ar. Totalmente livre dos grilhões gravitacionais de nosso pequenino planeta, voava. Já não fazia sentido aquele sentimento de inveja aos pássaros, que chegava a questionar a própria ordem do todo.

Mas como isso se dera, era a questão que me assombrava. Minha mente entrou em um estado de êxtase e atenção total. Os pensamentos começaram a se voltar para o início da jornada, como que visando explicar-me o que então sucedia. Vi-me ali, beirando o mar, olhos semi-cerrados e o corpo na típica posição de quem anseia meditar, o que já é por si só um contra senso. Anseio e meditação são como água e óleo, ou melhor dizendo, doença e cura... Mas mesmo estas tentativas de busca pelo estado meditatório sempre conferem certa leveza ao espírito e consequentemente ao corpo. Nunca ouvi falar porém sobre pessoas em estado de iniciação meditatória alcançando tão prontamente as delícias da levitação. 

Veio então outra possível explicação àquele inusitado fato. O esforço físico proporcionado pelo constante pedalar, aliado à visão frequente de belíssimas paisagens, forçosamente haveria de ter amplificado minhas capacidades de contato com a energia cósmica e consequentemente despertado habilidades humanas normais, porém usualmente dormentes. Mas ainda assim, aquilo me parecia muita aquisição de mestria energética em tão poucas semanas de viagem.

Finalmente viera-me ao pensar aquilo que bem poderia ser o motivo. Vinha eu me alimentando recentemente de forma um pouco exagerada, procurando sanar uma possível falta de proteínas em meu organismo que poderia decorrer de um grande esforço físico sem a ingestão de uma correta quantidade destas moléculas essenciais. Tendo a não comer os bichinhos que vivem, fazendo exceção aos que nadam. Por este motivo, durante a viagem, capricho na deglutição de ovos, queijos, leite, feijões, lentilhas, grãos de bico, e tudo mais que contenha alto teor protéico. E, bem se sabe, que estes alimentos uma vez digeridos produzem alto teor de gases mais leves que a média dos encontrados ao nosso redor.

Ali caiu-me a ficha, lembrei de um almoço horas atrás onde esta característica alimentação se havia unido sinergéticamente à um pouco de chucrute e couve flor. Só então fiz atinar ao desagradável odor que preenchia minha leve habitação e que nos propulcionava levemente cada vez mais ao alto. 
Sorri, lembrando-me o quão normal é, 
que toda maravilha seja permeada de ônus.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Como é que faz... (PT2)

(Continuação do post anterior)
Bonitinhos!!!

Pedalando... É aí que é gostoso e sofrido numa coisa só!!! "Ingual amorr". Mas é lindo o passeio, cheio de mar e de nuvem e de florzinhas coloridas. E casas de madeira antigas que eu gosto tanto, e umas pessoas trabalhando a terra com umas vaquinhas lá deitadas tranquilas. Depois é um riozinho e tem lagarto e passarinho conversando. Até golfinho tem. Daí vem a ladeira e a gente esbafori muito e para cansado com o coração a milhão e vai... Só pra ver uma linda paisagem no alto daquele morro e descer bem rápido correndo.

Pausa para um lanchinho.
Almoçando... Pra isso não tem regra nenhuma. Tem vez que é um restaurante de posto com um buffet livre de sete reais, outra é um lanche, e outra são três bananas e duas barrinhas de cereal. Se estou parado em alguma cidade procuro comer algo tradicional quando há. Não tem feito muito calor, mas em viagens onde ele fez, eu parava, cozinhava, comia, escrevia e dormia um pouco. Mas nessa não tá assim.

Traquitanas para jantares salgados e arenosos...


Jantando... Também não há certeza. Mas tento cozinhar. Pode ser couscous com lentilhas e algum vegetal, uma sopa de ervilha seca, um camarãozinho com purê... Teve um dia na Ilha das Peças em que acampei na praia deserta linda. Mas a noite, o vento fazia bastantes dos seus costumes soprados. Improvisei técnica assaz inteligente de enterrar a panela e o fogareiro de maneira engenhosa. Esta geringonça resultou-me um jantar arenoso ao qual adicionei bem mais sal do que deveria, uma verdadeira delícia.

 


Depois é deitar e ler ou escrever um pouco. Acabei recente de ler um livro que posso indicar sem dúvidas, mas com ressalvas!!! ''A Assombrosa Viagem de Pompônio Flato", do Eduardo Mendoza. Uma grandiosa aventura na qual um Jesus de 6 anos de idade, Maria e José são personagens, de onde a ressalva. Incrível presente da querida Cris.

Ainda estão faltando alongamento e meditação na viagem, eles devem estar pedalando um pouco devagar, mas sei que eles vão chegar...

sábado, 23 de outubro de 2010

Como é que faz... (PT1)


Camping de Matinhos
Queridos hospitaleiros. Dona Zena e o Velho Balan
Uma amiga Lúcia disse outro dia que as pessoas perguntavam, mas como ele faz, como ele dorme, o que ele come??? Percebendo não ter respostas para essas perguntas, aconselhou-me a contar  um pouco da pseudo rotina que me ocorre. É um pouco difícil na verdade, pois sou uma pessoa esquizofrenicamente dividida entre um grande rigor organizacional e o caos completo. Mas vamos tentar. Vou quebrá-lo em dois para não ficar comprido demasiado.

Dormindo... Tenho usado muito campings. Quando atravessei a França de bicicleta em 2005, dormia quase somente em cantos de mato de alguma propriedade ou em beiras de rio que em que aproveitava para descarregar a nhaca de dois, três ou quatro dias de pedal!!! Mas as estradas por onde passei eram bem pouco movimentadas. Nesta viagem, como tenho ficado muito próximo ao mar, e sendo este corpo tão querido aos humanos, sinto-me um pouco menos tentado ao camping selvagem pela abundante presença próxima de seres dotados de 32 dentes. Mas também me ocorre de ser convidado a dormir e comer pelas pessoas do caminho, e isso é uma delícia... 
Yo e mi Cloclô
Acordando... Sem hora fixa, mas não varia muito. Quando fica claro na barraca, acordo e começo o movimento de dobrar o saco de dormir, empacotar as coisas, desarmar a barraca, dar uma checada na bicle e carregá-la com os 32 quilos de tralha que nos acompanham. Em meio a este processo também faço uma banana amassada com minha pauer granola pessoal e mel, como algumas frutas frescas e secas e caio na estrada, passando numa padaria pra comer um queijo quente e uma média. Por falta de pressa e por gostar das minhas bugigangas bem organizadinhas sobre a Clô, isso quase sempre ocorre entre as dez e o meio dia.

Volto na segunda contar o resto... Bom final de semana pra vcs!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Eu não vou tomar droga nenhuma !!!

Exemplo de Complemento (Não foi o que eu vi!)
Um amigo da estrada esses dias me alertava sobre a necessidade de se compensar com muito cuidado minerais e nutrientes consumidos durante a viagem. Ele mesmo já havia feito um bom trecho de bicicleta, e sob orientação de uma personal trainner, recorrido ao uso de alguns complementos. Eu lhe disse que tentava fazer uso apenas a uma alimentação balanceada, com lentilhas e cuscuz (por seu rápido cozimento, alto teor proteico e de carboidratos respectivamente), frutas secas oleaginosas (especialmente a castanha do pará, por serem muito calóricas e com muitas propriedades interessantes), frutas frescas (sobretudo banana por conter muito potássio), frutas desidratadas em geral (por propriedades e facilidade de transporte, como os itens anteriores), mel e uma granola de meu preparo que leva entre outros flocos de quinua, gérmen de trigo e levedura de cerveja.

Meu interlocutor disse que ainda assim eu deveria recorrer a complementos de proteína, maltodextrina  e outros de que não lembro o nome. Para não ser teimoso fui à farmácia ver o que havia nesse sentido. Estudando bulas, e que me corrijam os que compreendem melhor o assunto, li que um dos melhores ali encontrados, trazia 5 gr da substância em questão por dose indicada para consumo diário, mas se tomado com leite, o total de proteínas era de 16 gr. Ora, ou bem este produto multiplica-se protéicamente quando tomado com leite, ou o leite simplesmente contém mais proteínas do que esta joça de 60 reais o potinho. Prefiro caprichar então no leite, queijo e ovos, visto que não sou dado ao consumo de carne, e não tomar droga nenhuma!!! Verdade que aumentar a dose destes itens tende a provocar fortes flatulências, mas soube que os complementos também o fazem. O jeito é dormir com a barraca aberta e aproveitar esse gás durante o dia como propulsão extra ao pedal, assim como uma espécie de turbo gastro-intestinal...