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| arrumação matinal |
Pra não variar, saia já beirando o meio dia. Sempre às voltas com seu arrumar metódico matinal das traquitanas sobre a bicle, Z tinha este desagradável costume de demorar-se ante à estrada. O leitor vai apressar-se em dizer: Que mal tem que o rapaz saia um pouco mais tarde. Explico-me: Que faz o narrador de uma épica jornada enquanto o protagonista dá mil voltas em cordinhas e lubrifica parafusos??? Tais acontecimentos são inenarráveis, à menos que não se tenha vergonha de expor-se ao ridículo diante do mundo de narradores que passam a vida a narrar fatos esfuziantes e inverossímeis!!!
Mas finalmente saiu, rumo ao desconhecido, subindo lombas por muito graúdas e avistando as belíssimas praias e lagoas da fabulosa Ilha de Santa Catarina... Peraí, grita-me outro leitor: O cara ainda tá em Floripa?!!! Sim, queridos leitores, após 4 meses de jornada, o cara ainda tá em Floripa!!! Existe até uma foto do momento exato em que Z foi humilhantemente ultrapassado por uma lesma. Verdade seja dita, o molusco era imenso!!! (ele tem várias explicações para tamanha demora, eu particularmente, credito tudo à preguiça!) Bom, rumando sul desde o Rio Vermelho, 20 Km depois Z parava na lagoa Rodrigo de Freitas para encontrar amigos, compartilhar fotos e e proceder à arte de consertos mecânicos de bagageiros quebrados. Quando digo ser fastidioso narrá-lo, ainda há quem me xingue!!!
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| olhar inquisidor |
Nuvens negras acotovelavam-se no horizonte enquanto o sol já se apressava em brilhar chineses, quando Z partia novamente rumo ao infinito horizonte. Margear a lagoa durante o onírico momento do lusco fusco despertava-lhe sentimentos misturados de pura alegria pela beleza do instante, e de tristeza por despedir-se de Florianópolis e de tantas coisas que ali vivera durante os três meses recentemente decorridos. O manto da noite cobria a ilha e o céu derramava copiosamente suas lágrimas quando nosso herói fez pausa em um boteco no campeche. Pediu ao garçom que lhe trouxesse uma cerveja e sentou-se resignado a esperar Thobias, pois dormiria em sua casa depois de encontrar Digão, parceiro deste de longas pedaladas. E assim terminava o dia inicial do segundo ciclo de indoàíndia, com míseros 28 km pedalados e pouquíssima coisa de real interesse para contar, motivo pelo qual tive de florear abusivamente a narrativa. Z acha que foi um dia bom, agradável e produtivo. eu, narrador escolado de epopéias, pergunto-me: Como assim?!!! E, com este pensamento em mente, apago a luz e sonho com a rotina de um burocrata kafkaniano...

