quinta-feira, 7 de outubro de 2010
O apoio que faltava!!!
Parece bem bobo escrever um post a respeito de um apoio vulgo "pézinho". Mas eu digo quer não é! Até poucos dias atrás eu só contava com o apoio central, mais comum em bicicletas normais. Acontece que por si só ele não aguenta o peso de uma bicicleta carregada para viagem. Parar a Clotilde estava sendo um verdadeiro calvário, sempre com todo um malabarismo necessário, e mesmo assim as quedas ocorriam. Tencionando encontrar pessoas de Curitiba em Morretes, liguei ao meu primo Ricardo (ele não há de gostar que eu entregue seu apelido de infância aqui, o teta, mas como evitar...) que me trouxe um segundo destes artefatos que se encaixa na parte traseira do quadro da bicle. Agora com dois pezinhos, ninguém segura minha Clô. Ela faz isso sozinha!
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Um ótimo dia...
A chuva que insistia há dias deu uma folga finalmente. Pude então deixar Morretes e seguir viagem rumo à Matinhos, de onde agora escrevo. Foram 69 km de lá para cá, e esse é por hora o recorde de percurso em um dia desta viagem!!! Verdade que o trajeto era bem plano, com excessão dos primeiros 13 km, (Afinal uma cidade não pode se chamar Morretes por nada!) mas devido ao peso de nosso fardo, acho que podemos considerar esse numero como bastante satisfatório.
| Igrejinha no Caminho |
Também senti menos os joelhos e ouso dizer que as subidas não são mais as mesmas, e isso não por questões geográficas, e sim porque estamos pegando algum ritmo! Além disso, tivemos um agradável solzinho ao fim da tarde, com uma belíssima luz. O camping encontrado é bonito, organizado, fica no sopé de uns morros lindos e pertence à um casal muito bacana que ao ouvir sobre a jornada me deram 100% de desconto!!! Tudo indica que dormirei bem...
domingo, 3 de outubro de 2010
Cultura caiçara e proteção ambiental. (03/10/10)
| Estação Ecológica da Juréia |
Dados mostram que 25% dos brasileiros ainda reside em comunidades tradicionais. E sempre, onde há algo que se pense em proteger, lá estão estas incômodas pessoas. Ali se inicia o árduo processo de convencer esta gente de cabeça dura de que eles devem sair dali para que se possa delimitar e "proteger o que restou". Mas seria mesmo uma coincidência o fato de que na maioria dos casos, o "que restou" está quase sempre "habitado". Num esquema de ocupação tradicional, herança da cultura indígena, a mata é o quintal dos indivíduos que ali residem. Sua proteção está portanto intimamente ligada à subsistência dos mesmos.
Um bom exemplo disto são os grandes parques no cerrado brasileiro em que não há habitantes. Quando vem o fogo, queima tudo, pois não há ninguém próximo para apagá-lo no início. É claro que incêndios também são causados por métodos tradicionais de cultivo como a queimada, mas isso se resolve com a conscientização de que existem técnicas mais modernas e assertivas, e não com a expulsão daquele que seria o maior interessado em proteger esta área. Outro exemplo disto ocorreu durante os anos 80. Por achar que o Palmito Jussara da Mata Atlântica estava em perigo devido à sua exploração econômica, o Paraná proibiu sua extração. Santa Catarina não o fez. O resultado foi que em pouco tempo, as matas catarinenses mantinham estas palmeiras, enquanto as mesmas praticamente desapareceram do estado vizinho. Isso mostra o óbvio, onde se podia colher, havia manejo e proteção por parte dos moradores locais, novas mudas eram plantadas e se respeitavam alguns espécimes para a reprodução. Onde havia a proibição, não havia tempo ou interesse para manejar e as plantas eram retiradas na calada da noite.
![]() |
| Clotilde embarcada |
A natureza se recupera e até se beneficia de um esquema de ocupação tradicional. Existem estudos que comprovam inclusive que a Selva Amazônica foi toda "manejada" pela ocupação indígena, o que auxiliou inclusive na dispersão de espécies e consequente aumento da biodiversidade. O caiçara conhece e respeita os ciclos naturais, caçando e pescando nas épocas corretas, evitando os períodos de reprodução dos animas, simplesmente por depender deles. A terra é cultivada num sistema de manejo onde cada parcela descansa o tempo necessário antes de voltar a ser semeada, não necessitando assim de qualquer aditivo químico. Há um respeito consciente à natureza por se conhecer profundamente o caráter simbiótico desta relação. Logicamente existe a necessidade de educação junto a estas comunidades para que se possam inserir novas técnicas de manejo da floresta com métodos cada vez menos impactantes e que tragam maiores benefícios aos extratores. Mas isto deve ocorrer dentro dos moldes culturais da gente local, através de seus indivíduos, como já vem ocorrendo há algum tempo pela cooperação de caiçaras que ampliam seu campo de visão formando associações como o MJJ (Movimento dos Jovens da Juréia) e as raras ONG's que tem realmente uma visão moderna e produtiva da questão.
Além disto tudo, no momento em que estes povos constroem, reformam ou preparam o terreno para novos plantios, tradicionalmente ocorre o mutirão. Este trabalho comunitário coletivo que proporciona obras muito rápidas e baratas, também resulta em momentos de festa, alegria e cultura. O proprietário fornece comida e bebida, e após o término do trabalho começa o Fandango, também ocasionado por motivo de casamentos, aniversários ou festas de santos. Ali se vê uma série de cantos e danças, ritmos diferentes, roupas e adereços tradicionais, instrumentos musicais fabricados artesanalmente, etc. Estas ocasiões são pontos culminantes de um estilo de vida com tudo que pessoas precisam para se sentir honradas e orgulhosas de seu trabalho e cultura, com muita diversão.
Quando isto não ocorre porém, e estas populações são rechaçadas de seu habitat, algo muito diverso acontece. Aumentam as periferias de cidades vizinhas como Peruíbe ou Iguape, no caso da formação da Estação Ecológica da Juréia. Muitos destes indivíduos, aculturados e sem conhecimentos para obter renda fora de seus contextos, acabam caindo nos braços de um estilo de vida marginal, onde a revolta, ainda que não seja o melhor, é um caminho quase natural de quem perdeu tudo, principalmente a dignidade. E este homem que vivia em comunhão com a natureza, torna-se um animal perigoso na selva de pedra. E tudo isso porque temos uma aversão ao fato de sermos bichos, quando na verdade, isso nos torna um com o todo. Quando recuperarmos este entendimento, este será o dia em que nosso desenvolvimento será real, e não mais poderemos ferir a vida por falta de respeito, visto que somos vida.
Marcadores:
aspectos culturais,
indoàíndia,
melhores,
sustentabilidade
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Hoje é Ariri... (aqui percebi minha primeira grande besteira em minha breve carreira de cineasta amador)
![]() |
| Igrejinha de Ariri |
Ariri é um bairro interessante de Cananéia, distante 3hs por transporte fluvial. Não esperava que esta mínima povoação contasse com uma "lan-house". A inauguração desta ocorreu semana passada. Sorte... Pois daqui vou a Superagui e depois para a Ilha das Peças, cada vez mais isoladas.
Completei meu primeiro quarto de milheiro de kms!!! Soa bem, mas são só 250. Confesso que os últimos 80 deixaram marcas. Pedalar praias é lindo, mas a areia meio mole é uma dureza!!!
![]() |
| Um quarto de milheiro |
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Sabotagem...
![]() |
| Navegar, nem sempre é preciso... |
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Ontem foi assim... (aka - a mais concentrada aventura da minha vida, talvez!!!)
| A primeira subida... |
Foi cedo o despertar, não muito. Saí do chalé onde dormira com a esperança de embarcar-me até a Juréia, pulando assim alguns montes, pois meu joelho reclamara. Logo soube impossível, e pus-me a subir o morro. Este quase me mata, mas foi-se. Parei por um tempo na sede da Estação Ecológica da Juréia para as necessárias autorizações. O diretor do parque, Roberto, sujeito de muito boa índole ajudou-me como pôde. Segui viagem, e logo veio a estrada de terra com bons trechos de lama. O caso é que eu nada sabia então, Sobre os 120 Kg que somos, eu, as malas e Clotilde. Assim penso chamar minha bicle (acho bike muito importado, direi bicle, mas aceito pitacos a respeito do nome Clotilde).
Todos esses quilos logo fizeram quebrar meu bagageiro chinês dianteiro (não pude encontrá-lo de outras nacionalidades!), freando minha bicle bruscamente. Ali aprendi minha lição número um a respeito de pedais que se prendem aos pés: São extremamente contra indicados em casos de lama e terrenos acidentados. Parada a bicle, eu com os pés presos caí um tombo deveras ridículo e nem portanto pouco doloroso. Estava em maus lençóis, não fosse um gentil jovem que vivia por ali arrumar-me um parafuso para repor o roto. Assim fomos, até que a garoa fininha nos visse diante de uma enorme e íngreme subida cascalhada. E assim sofri...
| Gambiarras. |
O passeio de barco pelos canais da Estação foi delicioso. Lindo era o lugar que me reservava surpresas inimagináveis. Entramos em alguns braços de rio errôneos, mas finalmente acertamos. Agora era só uma questão de ficar de cuecas e atravessar um pântano com as malas nas costas e lama até o joelho. Do outro lado despedi-me de Enoque e apressei-me em montar as bagagens na bicle, pois os raios solares já se faziam escassos. Foi quando percebi que o bagageiro traseiro (talvez até proveniente da mesma região que o dianteiro) também estava quebrado. O tempo de fazer uma gambiarra foi suficiente para afugentar o restante da luz. Viva as lanternas chinesas!!!
| Canais da Juréia. |
A trilha começou bem, mas assim que o escuro se fez completo começaram os pontos de barro e pequenos riachos lamacentos que me obrigavam a molhar os pés e fazer força para empurrar a bicle. Torcia para que não houvesse muitos mais destes pontos, mas parece que meus votos em nada influenciavam o caminho, pois logo vieram poços de lama de se enterrar até os joelhos com galhos, cipós, arvores caídas, enfim... Foram tombos e quedas de todos os jeitos e hoje vos escrevo bastante dolorido!!! Mas, aquilo havia de acabar era meu pensamento, foi quando caiu-me o parafuso do bagageiro dianteiro, aquele de logo acima no texto. Me consolava o fato de não ter caído novamente devido à lição anteriormente aprendida a respeito de pedais que se prendem aos pés. E que Deus abençoe o momento em que Beto Araújo de Matramba e Silva retirou-me da ignorância a respeito das fitas Hellerman. Por mais uma vez, seus colossais poderes gambiarrísticos me haviam salvado!!! No total, aquela inocente trilha de que me havia falado aquele agradável senhor impedindo-me de desembarcar por mar diretamente no povoado, resultou em duas horas de lama e hematomas no breu de uma noite que ainda havia de ver uma linda lua. Cuidado com os agradáveis senhores eu vos digo!
| Grande Reginaldo! |
O fato é que cheguei. Alquebrado e lamacento, parei em uma casa para me informar à respeito de como chegar ao mar para acampar-me. A amigável pessoa que me atendeu demonstrou-se mui hospitaleira, cedendo-me uma parcela de seu gramado, um chuveiro quente, comida e uma boa dose de calor humano junto à seus colegas e familiares. Dormi cedo e acordei cansado, mas mais pronto que nunca para continuar...
Marcadores:
aventura,
diário de bordo,
indoàíndia,
melhores,
roubadas
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Cinzas no Início...
| Eu e o Gangá!!! |
Começando vou soar pessimista... Nada foi como o imaginado, bem por isso falei que não gosto de planos, só servem pra não dar certo!!! Era bem cedo pra descer a estrada velha de Santos. Nablina, muita neblina... Variava com garoa. Nem por isso desmereço os companheiros presentes. O bom e velho Vinícios Vasconcelos, vulgo Gangá, teve a manha de madrugar no domingo 19 para levar-me ao início. Lá fiz encontro com o Matramba Special Time composto por Beto Araújo, Renato Bastos, João Fonseca e Fabio Galhardo. Descemos juntos, não sem momentos hilários e não comentáveis por força ética, até a baixada Santista de onde o MST voltou rumo à SPlônia.
| Com a turma da Matramba |
Dei continuidade no dia seguinte, e por favor, deixem-me retornar ao tom soturno e negativista do início, pois em pouco mais de dois dias, peguei garoas, chuvas torrenciais, nuvens a perder de vista, me foi subtraído o aparelho telefônico, furou-me o pneu por três desagradáveis vezes, quebrou-me o bagageiro dianteiro provocando parada assaz abrusca que por pouco não me fez catapultar o esqueleto por metros consecutivos, fui posto a dormir nos aposentos de um indivíduo de temperamento desgovernado, enfim, era de se esperar que já estivesse preparando meu caminho de volta...
| Uma carregada clotilde |
Mas, nem sei se por teimosia, convicção ou simples tipo de lentidão mental, resigno-me a ter fé. Fé em dias melhores à frente, e outros quiçá piores também. Fé em que ao pesar tudo na balança do século, sempre há de ter valido à pena.
É como uma lembrança de que mesmo ao ser mais afeiçoado às cores vibrantes, o cinza também existe. E por esse apenas motivo, já é lindo, visto que é...
Com isto dito solto o brado glorioso que invoca e aceita a primavera, no mundo e na alma!!!
Assinar:
Postagens (Atom)




